Os estados e as capitais mais e menos transparentes em gastos na pandemia

Em toda situação de emergência, seja ela natural ou de saúde pública, a literatura acadêmica internacional sinaliza para uma probabilidade maior no aumento de práticas de desvio de dinheiro nas contas públicas, principalmente em países com histórico problemático de combate à corrupção.

Na sem precedentes pandemia da covid-19, em que os métodos de controle dos gastos públicos foram flexibilizados, o cenário não seria diferente. No Brasil, a lei que estabeleceu o estado de calamidade pública, autorizando a liberação de verbas acima das metas fiscais, também criou regras excepcionais para as contratações, tanto com dispensa de licitação, quanto por pregões abreviados.

Para incentivar a fiscalização dessas negociações por parte da sociedade civil, a ONG Transparência Internacional está alimentando um ranking de transparência nas contas públicas durante o combate à covid-19. Desde o início da pandemia, uma equipe avalia se os 26 governos dos estados e o Distrito Federal, além das 26 prefeituras das capitais brasileiras, estão garantindo acesso pleno, ágil e fácil aos dados sobre contratações emergenciais.

Nesta segunda-feira, 29, a organização divulgou a segunda versão do ranking, com informações colhidas entre os dias 15 e 18 de junho. Dentre todos os estados, apenas o Espírito Santo conseguiu atingir a mais alta pontuação (100). João Pessoa, capital da Paraíba, foi a única que também obteve nota máxima.

“Desde que começamos essa fiscalização, percebemos o impacto que pode gerar na sociedade. Por isso, decidimos disponibilizar um passo a passo de como melhorar a transparência, para incentivar o cidadão a fiscalizar também os municípios que não estamos contemplando no ranking”, diz Guilherme France, coordenador de pesquisa da Transparência Internacional Brasil.

France chama atenção, no entanto, para o fato de que não é porque estados e capitais estão mais bem avaliadas que não haverá denúncias de corrupção — Santa Catarina, por exemplo, é avaliada como ótima, mas já há investigação em curso sobre uma compra superfaturada de respiradores que envolve até o governador Carlos Moisés (PSL).

Metodologia

Para o ranking, a Transparência Internacional parte do princípio que a lei de calamidade pública, para compensar o relaxamento das regras de controle, determinou a obrigatoriedade da criação de um portal de transparência específico para a pandemia.

Assim, toda transação deve constar o nome do contratado, o número de sua inscrição na Receita Federal, o prazo contratual, o valor e o respectivo processo de contratação ou aquisição. Isso vale para o governo federal, estados e municípios.

Para além das obrigações legais, o ranking avaliou diversos índices de desempenho nos 53 entes (26 estados + Distrito Federal + 26 capitais), como informações disponíveis, formato das informações e acessibilidade.

Em cada local foram buscadas informações sobre contratações emergenciais no portal dedicado às contratações emergenciais (se houver); portal oficial do governo; portal da transparência; portal de compras; portal de dados abertos (se houver); portal dedicado à covid-19 (se houver); redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram).

Fonte: https://exame.com/brasil

Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

Paulo de Pádua

Paulo de Pádua Vasconcelos é jornalista formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tem especialização em Assessoria de Imprensa, no Curso de Comunicação Social, concluído pela FESP. Trabalhou, como repórter, em vários portais do Estado, a exemplo do WSCOM e ParlamentoPB, no BLOG de Luís Torres, por um determinado período, e também foi repórter dos cadernos de cidade, policial e política dos Jornais A UNIÃO e do extinto O NORTE. Além disso, foi coordenador de Comunicação Social e depois coordenador do Portal da Câmara Municipal de João Pessoa. Atualmente exerce a função de assessor de imprensa da Presidência da Câmara.

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