A 27ª edição da Tardezinha Inclusiva, que aconteceu neste domingo (25), foi de homenagem aos colaboradores do projeto, que receberam troféus simbolizando o agradecimento aos que contribuem para o crescimento da iniciativa. Realizada pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Associação Paraibana de Autismo (APA) e Turma Tá Blz, a Tardezinha Inclusiva entregou a cada um o Oscar TEA. O evento foi realizado no Centro Cultural de Mangabeira.

O diretor executivo da Funjope, Marcus Alves, afirmou que a Tardezinha Inclusiva tem se caracterizado como uma excelente experiência para o encontro das famílias, das crianças e dos jovens autistas. Ele recordou que muitas dessas crianças sequer entravam no Centro Cultural de Mangabeira dois anos atrás e hoje elas não apenas entram, como cantam, se apresentam, dançam, fazem oficinas.

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“Para nós, isso mostra o sucesso dessa experiência e é muito importante para todos nós fazer o reconhecimento das pessoas e das instituições que têm nos ajudado ao longo desses dois anos. Então, gostaria de agradecer, de coração, cada uma delas e dizer que a Tardezinha Inclusiva é, talvez, a melhor vivência de inclusão social pela arte que nós temos na história recente da Paraíba, sobretudo, de João Pessoa. Isso nos deixa muito contentes e nos dá muita energia para fazer ações futuras”, acrescentou.

Hosana Carneiro, presidente da APA, também destacou o sucesso da iniciativa. “Nós sempre fazemos a Tardezinha Inclusiva com muita alegria e nossa expectativa é sempre superada. Preparamos, organizamos, mas quando chegamos aqui a resposta é muito melhor do que esperamos. Encontramos tantas pessoas sorrindo. Agora estamos acolhendo autistas adultos do grupo Crescemos”, observou.

Ela destacou que a iniciativa também começou a receber apoio do Ministério Público do Trabalho. “Isso é um reconhecimento, um crescimento e um entendimento de que nós capacitamos pessoas autistas, através de suas habilidades, para que elas possam entrar no mercado de trabalho. Então, aqui é lazer, terapia e oportunidade para autistas adultos que cresceram sem uma política inclusiva. Eu me realizo muito com isso, porque eu sou mãe de autista, mas também sou mãe de muitos”, declarou.  

Nik Fernandes, uma das organizadoras da Tardezinha Inclusiva, ressaltou que esta foi uma edição muito especial porque premiou os parceiros. Ela lembrou que esta é a terceira premiação aos colaboradores. No primeiro ano, foi o Selo do Amigo Autista; no segundo, o Selo de Padrinho do Autista e, desta vez, o Oscar TEA.

“Premiamos os grandes parceiros que estão conosco há quase três anos e, cada vez mais, queremos incentivar a sociedade, os empresários a participarem desse projeto que é totalmente gratuito. É um projeto da Prefeitura, junto com a Funjope, mas aceita apoio de quem quiser participar. É muito gratificante entregar o Oscar TEA para quem está segurando nossa mão. A Tardezinha é uma terapia cultural, não é só entretenimento”, avaliou.

Saúde – A Tardezinha Inclusiva também reflete na saúde mental e na vida das crianças autistas e de suas famílias. “Esse é um momento que reflete na família. É muito importante essa questão da saúde mental, sair um pouco do ambiente só de casa, só de clínica, só de tratamento, para poder fazer uma confraternização, ter esse momento de lazer”, explicou o médico nutrólogo Alexsander Azevedo.

O lazer, segundo ele, é uma das principais propostas para a saúde. “Se você não tem lazer, se não tem esse momento de confraternização, de sair de casa, de esquecer um pouco os problemas também, você adoece. Então, dentro de todo esse contexto de saúde, a Tardezinha Inclusiva traz essa questão de integração da família, de poder ter esse compartilhamento de experiências de mães, de profissionais com essa parte cultural que é fundamental para a saúde”, afirmou.

Famílias – Muitas famílias participaram da Tardezinha Inclusiva neste domingo. A professora Lara Verônica Ramalho da Costa, da Escola Municipal Euclides da Cunha, no Bairro dos Novais, por exemplo, acompanhou um grupo com mais de 30 pessoas. Ela observou que o projeto é muito positivo e que as mães precisam levar a sério e não perder nenhuma edição, porque este momento, de fato, traz resultados. “Eu sou professora e sinto que eles voltam para a sala de aula com vontade de voltar, perguntando quando vão novamente. É um momento muito especial, tudo gratuito, com lanche, brincadeira. Está de parabéns a Prefeitura de João Pessoa. Eu me sinto honrada em estar aqui presenciando essa atividade”, avaliou.

Cleane Cardoso é professora de História e mãe de Carlos Cauê, de 9 anos. Ela relatou que o garoto, que é autista, vem evoluindo bastante depois que começou a frequentar a Tardezinha Inclusiva. “Meu filho melhorou muito porque ele não era sociável. Agora ele brinca, vai para os brinquedos. Todo mês estou aqui”, contou ela, que vai com a turma do PCD de Cabedelo.

Mãe de Thaíssa, de 6 anos, Rosângela Trajano é frequentadora assídua da Tardezinha. “Acho muito legal. Já perdi as contas de quantas vezes participei. Minha filha é autista e tinha muita dificuldade de socialização. Hoje ela está melhor por conta desse trabalho”, comemorou.

“Minha filha Helena tem 2 anos e não é autista, mas desde o ano passado venho com ela. Acho muito bom esse momento, tudo organizado, as crianças podem brincar, se socializar. É ótimo”, comentou a dona de casa Patrícia Lira.

Programação – A programação foi repleta de atrações como Nik Fernandes e a Turma Tá BLZ, o DJ Johny, o cantor mirim Rodriguinho e a cantora Sandra Belê. Além deles, a criançada se divertiu com os brinquedos infláveis e com os personagens Sonic, Super Mário Bros e Pocoyo.

Também foram realizadas oficinas de artes com a equipe da Escola Impactos; de alimentação e biscoitos com a nutricionista Janete Diniz e a fonoaudióloga Linzabelle, da clínica Metamorfose; oficina de massinha de modelar com o grupo Crescemos, formado por autistas adultos.

Teve ainda a participação dos palhaços Baba Baby e Kika; Mágico Smith e a tradicional Feirinha Inclusiva com produtos feitos pelas mães.

Secom-JP

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