Que medidas o TSE tomou para evitar novos problemas no segundo turno da eleição

O primeiro turno das eleições municipais de 2020, em 15 de novembro, ficou marcado por problemas inéditos: a divulgação dos resultados atrasou em quase três horas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi alvo de uma tentativa de ataque cibernético no dia do pleito e vários eleitores reclamaram de instabilidade no e-Título, o aplicativo do tribunal que ganhou novas funções neste ano.

No dia seguinte à eleição, o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, reconheceu que houve transtornos e pediu desculpas.

“Peço desculpas aos colegas e à sociedade brasileira por essa dificuldade que enfrentamos, mas esclareço que não houve nenhum tipo de comprometimento para a fidedignidade do voto, para a fidelidade da manifestação da vontade popular”, disse ele durante sessão.

O que podemos esperar para o segundo turno, marcado para este domingo (29)? De acordo com o TSE, algumas medidas foram tomadas para que os problemas não se repitam. Veja:

Calibragem dos sistemas

Este foi o primeiro ano em que todos os votos foram somados na sede do TSE, em Brasília, por um supercomputador.

Antes, cada Tribunal Regional Eleitoral (TRE) totalizava os votos do seu estado e encaminhava ao tribunal central.  A mudança ocorreu por orientação da Polícia Federal, que, em relatório, disse que o método seria mais seguro.

Os resultados, que costumavam sair logo após o fechamento das urnas, só foram conhecidos no fim da noite do domingo.

De acordo com o TSE, o atraso na divulgação dos resultados ocorreu por uma série de fatores. Em função da pandemia, o equipamento para totalização foi entregue com atraso e só foram feitos dois dos cinco testes planejados. Com isso, a máquina não estava programada para a quantidade de votos que foram inseridos de uma só vez no sistema.

Em nota técnica, o TSE disse que o sistema já foi calibrado para processar um volume maior de informações de maneira ágil.

“Equipes técnicas do TSE e da Oracle entendem que a falha no plano de  execução no primeiro  turno não se repetirá no segundo turno”.

“No entanto, até o dia  29 de novembro, toda a equipe está focada na definição de providências para evitar incidentes semelhantes na apuração e totalização dos resultados do segundo turno”.

Além do problema no software, houve outro no hardware do supercomputador do TSE. Um dos oito núcleos de processamento parou de funcionar no meio do processo de apuração, mas, segundo o Tribunal, isso não afetou de forma direta a contagem.

Na nota, eles dizem que a equipe supôs que essa falha fosse o motivo da demora e dedicou todo o esforço para recuperar a peça. Isso teria atrasado a identificação do real problema.

“Por isso, a STI [Secretaria de Tecnologia de Informação do TSE] entende que, de forma indireta, o episódio contribuiu para o atraso na divulgação dos resultados”.

Sobrecarga do e-Título

O primeiro turno também foi o primeiro teste das novas funcionalidades do aplicativo e-Título, que, além de identificar o eleitor na hora da votação, poderia mostrar qual é o local do voto e justificar ausências.

No entanto, o termo “e-Título” ficou entre os assuntos mais comentados nas redes sociais, em função da instabilidade do sistema. Muitos usuários não conseguiam completar operações.

O ministro Barroso disse que a origem da falha estava sendo estudada pela equipe de TI do Tribunal, que considerava duas possibilidades: um erro no desenvolvimento do aplicativo ou sobrecarga devido ao grande volume de acessos.

Barroso informou que, só no dia do pleito, foram recebidas mais de 12 milhões de solicitações de cadastro no e-Título, o que teria gerado uma fila de atendimento.

Mesmo assim, ele afirma que só as funções do mapa e de justificativa foram afetadas. A função de identificação continuou operando normalmente. 460 mil justificativas foram feitas pelo aplicativo, de acordo com dados do TSE.

Quem não conseguir acessar a funcionalidade no domingo (29), pode usar os outros métodos, como o site Justifica ou a entrega em cartório eleitoral, em até 60 dias depois da eleição.

Segurança cibernética 

No dia do primeiro turno, o TSE disse ter sofrido uma tentativa de ataque DdoS — em que hackers sobrecarregam um domínio com múltiplos acessos simultâneos para tentar derrubar o sistema.

Entretanto, no mesmo dia, Barroso informou que a ação foi neutralizada pela equipe da Corte e por operadoras de telefonia.

Em apuração, a equipe descobriu que as tentativas partiram de servidores no Brasil, Estados Unidos e Nova Zelândia.

Mesmo se fosse bem-sucedida, a invasão não afetaria a segurança das urnas, que funcionam fora de rede. A apuração dos votos também ocorre em uma rede fechada do Tribunal.

Foram divulgados dados pessoais de ex-ministros e ex-servidores do TSE. O presidente da Corte disse não considerar essa publicação um problema de segurança, pois os dados são antigos e teriam sido liberados na internet para colocar em dúvida a segurança da eleição.

“Os dados vazados tinham mais de dez anos de antiguidade e a divulgação foi feita no dia das eleições para procurar causar impacto e trazer a impressão de fragilidade no sistema”, disse ele.

Em discurso no Insper na última segunda (23), Barroso disse que, mesmo com os problemas do primeiro turno, a eleição foi bem-sucedida.

“Conseguimos fazer uma eleição, conseguimos que o plano de segurança fosse observado e que não houvesse disseminação da doença, conseguirmos uma abstenção bem baixa, de 23%, conseguimos controlar as fake news, divulgar o resultado no mesmo dia, e as pessoas só falam que teve um problema operacional no computador e atrasou duas horas e cinquenta minutos. Portanto, a gente precisa se libertar de uma visão negativa e celebrar as coisas boas”, declarou.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica

Paulo de Pádua

Paulo de Pádua Vasconcelos é jornalista formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tem especialização em Assessoria de Imprensa, no Curso de Comunicação Social, concluído pela FESP. Trabalhou, como repórter, em vários portais do Estado, a exemplo do WSCOM e ParlamentoPB, no BLOG de Luís Torres, por um determinado período, e também foi repórter dos cadernos de cidade, policial e política dos Jornais A UNIÃO e do extinto O NORTE. Além disso, foi coordenador de Comunicação Social e depois coordenador do Portal da Câmara Municipal de João Pessoa. Atualmente exerce a função de assessor de imprensa da Presidência da Câmara.

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