Sheilla de olho em Tóquio

Ela é apontada por especialistas como uma das melhores jogadoras de vôlei da história. Sheilla Castro virou referência quando se fala na posição de oposta. Talentosa e dona de golpes inconfundíveis, Sheilla reinou absoluta como titular da seleção brasileira em três ciclos olímpicos, que resultaram em duas medalhas de ouro. Após os Jogos do Rio, em 2016, a mineira de Belo Horizonte resolveu fazer uma pausa na carreira para ser mãe. Ao invés do vôlei de praia, optou por retornar às quadras no ano passado disposta a jogar pela seleção brasileira e, quem sabe, participar em Tóquio da quarta Olimpíada da carreira.

Aos 36 anos, a oposta faz pelo Itambé/Minas Tênis Clube a primeira temporada da Superliga após retornar às quadras. No clube mineiro passou boa parte do primeiro turno como opção no banco do técnico Nicola Negro. Mas nos últimos jogos Sheilla tem sido titular e aos poucos vem recuperando o ritmo de jogo. Destaque para a atuação na semifinal da Copa do Brasil diante do rival Dentil/Praia Clube, quando anotou 18 pontos, mesmo tendo iniciado a partida no banco de reservas.

O repórter Igor Santos, do programa Stadium, da TV Brasil, conversou com a atleta especialmente para a coluna.

P: Como você avalia a temporada de retorno ao vôlei? Está de acordo com o que você planejava?

R: Está de acordo, sim. Eu esperava chegar bem fisicamente e tecnicamente, com mais ritmo de jogo já no Sul-Americano [competição que começa no dia 17 de fevereiro] e nos playoffs, então acho que está tudo fluindo de acordo com os planejamentos meu e do clube.

P: Como você tem visto seu encaixe dentro da equipe do Minas, que é a atual campeã da Superliga?

R: Acho que é uma coisa muito natural, até porque eu joguei no Minas. Meu primeiro time na Superliga foi o Minas. Eu sou de Belo Horizonte. Eu saí do Minas sendo campeã. Foi o primeiro título do Minas quando eu estava aqui. Então acho que foi natural voltar com ele sendo campeão de novo. Estou feliz de ter tido a oportunidade de voltar para o time da minha cidade, para o time no qual joguei.

P: Acha que o tempo fora das quadras fez você ver o vôlei de uma maneira diferente?

R: Não, até porque pensei em outras coisas. Queria engravidar, queria mais tempo com minha família. Então não foi uma coisa pra refletir sobre o vôlei, era mais o lado pessoal. Voltei pensando o que eu sempre pensei, de querer treinar sempre mais para evoluir sempre mais. Nunca estou satisfeita com o que eu fiz. Sempre fui perfeccionista e continuo sendo. Então, em relação ao vôlei, não mudou. Pessoalmente acho que evoluí muito nesses últimos anos parada, mas no vôlei está a mesma coisa.

P: Você pensa em seleção brasileira, pensa nos Jogos de Tóquio?

R: Decidi voltar para quadra numa conversa com o Zé Roberto [técnico da seleção brasileira] e o Zé Elias [preparador físico da seleção brasileira], porque eles achavam que eu poderia render muito na quadra. A decisão de jogar vôlei de quadra de novo, porque eu iria para a praia, foi por isso. Então, falar que eu não penso em Tóquio seria mentira. Mas acho que tenho que pensar no momento. Porque se eu começar a querer demais Tóquio, e não pensar aqui, não vou conseguir chegar bem. Não vou conseguir evoluir para estar bem em Tóquio. Então espero fazer um Sul-Americano muito bom, uma Superliga muito boa. Se der para ir para Tóquio, eu vou. Se não der, também já fiz muita coisa pela seleção.

P: Você começou nova nos clubes e na seleção. Agora é uma das mais experientes. Qual o sentimento de ser uma veterana no grupo?

R: Acho que foi uma coisa natural, acontece naturalmente. Lembro que na época em que comecei a jogar no Minas, a Fofão era levantadora. Tinha a Cristina Pirv [ex-atleta romena]. Eram jogadoras experientes que admirava muito e queria muito aprender com elas. Tenho certeza de que agora há novinhas que se inspiram em mim, que me admiram, e espero conseguir ensinar ainda muitas coisas para elas.

Ordem dos adversários em Tóquio definida

A Federação Internacional de Vôlei divulgou nesta semana as tabelas da primeira fase dos torneios de vôlei nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Atual campeã olímpica, a seleção brasileira masculina estreia no dia 25 de julho contra a Tunísia. Na sequência pega Argentina, Rússia, Estados Unidos e encerra a primeira fase contra a França, em 2 de agosto. Já a seleção feminina estreia contra a Coreia do Sul no dia 26 de julho. Depois pega a República Dominicana, o Japão, a campeã mundial Sérvia e fecha a primeira fase contra o Quênia, no dia 3 de agosto.

Não há nenhuma novidade na ordem, mas já dá pra prever que a seleção feminina tem um desafio mais difícil na estreia do que a masculina. As meninas fazem um perigoso jogo contra a traiçoeira Coreia do Sul que pode ser decisivo para definir a classificação no grupo. O time masculino enfrenta a Tunísia e tem a obrigação de vencer o adversário mais fraco do grupo.

E uma curiosidade, ao contrário das últimas edições olímpicas, em Tóquio a final masculina será no sábado, e não no domingo, como tradicionalmente acontece. A medalha de ouro feminina será decidida no último dia de Jogos. O espaço nobre dedicado à final feminina pode ser explicado pela paixão dos japoneses pelo voleibol (em especial o feminino). E talvez pela esperança dos organizadores de que a seleção da casa suba ao pódio. A última vez que isso aconteceu foi em 2012, quando as japonesas ficaram com o bronze.

Fonte; Agência Brasil

Foto: Gaspar Nóbrega/CBV

Paulo de Pádua

Paulo de Pádua Vasconcelos é jornalista formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tem especialização em Assessoria de Imprensa, no Curso de Comunicação Social, concluído pela FESP. Trabalhou, como repórter, em vários portais do Estado, a exemplo do WSCOM e ParlamentoPB, no BLOG de Luís Torres, por um determinado período, e também foi repórter dos cadernos de cidade, policial e política dos Jornais A UNIÃO e do extinto O NORTE. Além disso, foi coordenador de Comunicação Social e depois coordenador do Portal da Câmara Municipal de João Pessoa. Atualmente exerce a função de assessor de imprensa da Presidência da Câmara.

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